Os Vigaristas

Casal de Véios Mineros

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Conversa de um casar de véios minero:

— Que horas são?

— São seis hora véi, vamo levantar...

— Pra que a gente levantá tão cedo se a gente num tem nada pra fazer?

— Pra proveitá a vida, uai?

— Eu proveitava a vida quando era moço e sortêro.

— Se quiser ficar sortêro é só falá!

— Eu não. A única vantagem do casamento é tê arguém pra turar a gente dispois de véio, eu queria era vortá a sê moço, uai.

— Pare de sonhá e vamo levantá pra proveitá esse dia grorioso!

— Nossa, como a senhora tá bem humorada hoje, heim véia? Sonhô com o passarin verde?

— Muito mió, eu sonhei que era o meu aniversário e eu ganhei um balaio enoooorme cheio de pinto!

— Piiiinto?

— É véio, pinto... Desses que ocê usava até um tempinho atráis...

— Mas ocê sonhou com um balaio cheio de pinto?

— Cheim de pinto; tinha pinto de tudo quanté jeito; tinha pinto grande, piqueno, fino, grosso, preto, branco, um mais bunito que o outro...

— E o meu? O meu tamém tava no balaio?

— O seu? Tava lá num cantinho incuidinho, todo ismiriguido coitadinho!

No dia seguinte:

— Boooom dia, vamo levantá minha véia, vamo levantá, vamo proveitá a vida.

— Nossa? Como ocê tá bem humorado hoje véio! Sonhô com o passarin verde?

— Muito mió. Eu sonhei que era o meu aniversário e eu ganhei um balaio enooooorme, cheio de xoxóta.

— Verdade véio?

— Verdade verdadeira! Tinha xoxóta de tudo a qué jeito: piquinininha, grandona, loira, morena, ruiva, raspada, piluda; uma mais linda que a outra.

— E me diga uma coisa véio, a minha tamém tava lá?

— Ora, craro! A sua é que era o balaio!