Piadas de Mineiro

Dois compadres mineiros estavam bem sossegados, fumando seus cigarros de palha e proseando.

Conversa vai, conversa vem, eis que a uma certa altura um pergunta para o outro:

— Cumpádi, u quê quiocê acha dessi negóço de nudez?

No que o outro respondeu:

— Achu bão, sô!

O outro ficou assim, pensativo, meditativo... e perguntou de novo:

— Ocê acha bão pur causdi quê, cumpádi?

E o outro:

— Uai! É mió nudêis qui nu nosso, né não?

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O mineiro comprou uma câmera digital e levou para seu sítio. Chegando lá, mostrou aquela novidade para todos. Nunca ninguém tinha visto algo igual e ele diz:

— Pessoar, todo mundo pra-per-da-cerca-di-arami farpado ali, pra modi quê vô tirá umas foto du-cêis.

Ele então programou o temporizador e correu pra junto de todos. Nessa, quando os outros o viram correr na direção deles, saíram correndo, atravessando acerca de arame farpado, rasgando-se todos. Então ele pergunta:

— O quê qui aconteceu, uai?

E sua tia, com as duas orelhas penduradas, respondeu:

— Si ocê qui cunhece esse trem ficou cum medo, imagine nóis qui num cunhece...

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Em um ônibus que passava por Minas, com destino ao Rio de Janeiro, entrou um caipira com três porcos a tira-colo. Um carioca gozador que estava sentado bem na frente resolveu tirar uma com o caipira:

— E aí, rapá! Levando os porquinhos para passear, cumpadi?

— É, sô! Os bichim nunca viro o mar, né!

— Só! — respondeu o carioca, em tom de deboche — E esses "bichim" tem nome?

— Tem sim sinhô... Essas duas aqui são fêmea... Elas se chamam Suatia e Suavó!

— Ah, é? — continuou o carioca — E essa aqui, deve ser Suamãe, acertei?

— Não, sô... Esse é macho! Chama Seupai... Sua mãe eu comi ontem!

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O Zezinho era um cara muito falador e muito conhecido na cidadezinha mineira onde vivia.

— E não só aqui, dizia ele. — Sou conhecido no mundo todo. Não tem canto que eu vá que não encontre um conhecido.

Uma vez, o Zezinho viajou para a Europa com o Luiz, seu amigo. Para surpresa do Luiz, em todo lugar o Zezinho encontrava um conhecido. Um dia chegaram a Roma e foram ao Vaticano. Era dia da bênção do Papa e a Praça São Pedro estava lotada.

— Espere aqui que eu vou ver se consigo que o Papa nos receba — disse o Zezinho e sumiu.

O Luiz ficou de bobeira até que olhando para a sacada onde o Papa falava viu aparecer o Zezinho, que colocou uma mão no ombro do Papa e acenou para o povão. Na praça, várias pessoas acenaram de volta.

— Você conhece aquele homem ali na sacada? — perguntou Luiz para o cara junto dele, que também tinha acenado.

— Que homem? Aquele ali junto do Zezinho?

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O capiau, muito do pão-duro, recebe a visita de um amigo. A certa altura da conversa, o amigo pergunta:

— Se você tivesse seis fazendas, você me daria uma?

— Claro, uai! — respondeu o mineiro.

— Se você tivesse seis automóveis, você me daria um?

— Claro que sim!

— E se você tivesse seis camisas, você me daria uma?

— Não!

— Por que não?

— Porque eu tenho seis camisas!

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O amigo chega pro Carzeduardo e fala:

— Carzeduardo, sua muié tá te traino co Arcide.

— Magina! Ela num trai eu não. Cê tá inganado, sô.

— Carzeduardo! Toda veiz que ocê sai pra trabaiá, o Arcide vai pra sua casa e prega ferro nela.

— Duvido! Ele num teria corage.

— Mais teve! Pode cunfiri.

Indignado com o que o amigo diz, o Carzeduardo finge que sai de casa, sesconde dentro do guarda-roupa e fica olhando pela fresta da porta. Logo vê sua mulher levando o Arcide para dentro do quarto pra começar a sacanage. Mais tarde, ele encontra com o amigo, que lhe pergunta o que houve. E então, o Carzeduardo relata cabisbaixo:

— Foi terrive di vê! Ele jogou ela na cama, tirou a brusa... e os peito caiu... Tirou a carcinha... a barriga e a bunda dispencaro... Tirou as meia... e apariceu aquelas varizaiada toda e as perna tudo cabiluda. E eu dentro do guarda-roupa, cas mão no rosto, pensava: "Ai... qui vergonha que tô do Arcide!"

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A mulher estava na estação ferroviária, doida para descarregar a bexiga. Olhava para o relógio a todo instante e, pela hora, o trem já deveria ter chegado na plataforma há pelo menos dez minutos. Ela se contorcia daqui, se contorcia dali, até que não agüentou mais e foi ao banheiro. Quando voltou, o seu trem havia chegado, mas já havia partido.

— Oh, não! — fez ela, sentando-se no chão e derramando-se em lágrimas.

Nisto o mineiro, solidário, aproximou-se dela:

— Ô, Dona! Purquê esta choradera?

— É que eu fui mijar e o trem partiu! — explicou ela.

— Uai, mas a sinhora já num nasceu com o trem partido?

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— Moço, o trem das cinco e quinze já passou?

— Já, sim senhora.

— E o das cinco e meia?

— Já, sim senhora.

— E o expresso mineiro, que hora vai passar?

— Daqui a meia hora.

— E o rápido paulista?

— Por que a senhora não diz logo qual é o trem que quer pegar e eu lhe digo quando ele passa?

— Eu não quero pegar trem nenhum, não, moço. Eu quero é atravessar a linha.

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Estava um mineiro a andar com o seu burrinho por uma das muitas estradas de Minas Gerais. Num dado momento para do lado do mineiro com seu burrinho uma Ferrari, e dentro dela um carioca muito esperto que batendo no capo do carro diz:

- Aqui dentro tem 400 cavalos!

Entra no carro e sai cantando pneus, deixando uma nuvem de poeira para o mineiro. Um pouco a frente o carioca se distrai e numa curva embica a sua Ferrari num ribeirão.

Um pouco depois o mineiro chega ao local, vendo o carro com a frente dentro da água pergunta:

- Tá dando de beber para tropa, moço?

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Alfredo tinha uma granja que abastecia o lugarejo com ovos de galinha.

Só que as galinhas começaram a bicar os ovos logo ao pô-los, inutilizando os mesmos para a comercialização.

Alfredo telefonou para o primo que já era veterano no negócio, pois tinha uma granja numa cidadezinha do interior mineiro.

— Não há motivo para preocupação, Alfredo. Deparei-me com o mesmo problema e o resolvi estudando a psicologia das galinhas. Coloquei

ovos de ferro pintados de branco, idênticos aos de galinha, e ao bica-los, as aves machucavam os bicos. Então, por instinto, evitavam de bicar os verdadeiros ovos.

— Mas onde vou encontrar ovos de ferro?

— Procure um ferreiro na cidade que ele certamente lhe arranjara alguns.

Alfredo encontrou um ferreiro octogenário que já estava corcunda pelo peso dos anos de labuta.

Dirigindo-se ao velhinho, que estava recurvado sobre uma chapa incandescente que retirava do forno a carvão:

— Meu velho, o senhor por acaso tem ovos de ferro?

— Não, meu filho. Isso é desvio da coluna mesmo.

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