Vizinho Pintor

25
17
8

O pintor de parede era tarado pela mulher do vizinho. E pelo jeito ela também. Rolava um clima, uma troca de olhares, mas a coisa nunca rolava, porque o marido era um tremendo ciumento e trancava a mulher dentro de casa quando saía pro trabalho. Determinado em arrumar um jeito de se aproximar, o pintor teve uma ideia.

— Sabe como é, Adolfo — disse ele, pro vizinho — A gente é vizinho há anos... Eu ando com um tempo sobrando, então estava pensando... Você não quer que eu pinte sua casa de graça?

— Claro, amigão! — Agradeceu ele — Aparece aqui amanhã de manhã que você já começa!

Na manhã seguinte o pintor chega todo animado, lata de tinta numa mão, pincel na outra. E o marido ciumento diz:

— Se você não se importa, vou trancar a porta. Não gosto que minha mulher fique dando voltinhas por aí.

— Claro, Adolfo. Você é quem sabe!

Foi só o marido sair para o trabalho que eles começaram os amassos. Depois de alguns minutos, quando a coisa estava esquentando, ouve-se um barulho de porta. Era o marido!

— E agora? — disse a mulher, aflita.

O pintor só teve tempo de pegar o pincel e começar a pintar, com um jeito bem distraído.

O que é isso? — pergunta o marido, assustado — Você pede pra pintar minha casa e fica pelado na frente da minha mulher?

— Pô, eu tô pintando de graça e você ainda quer que eu suje a minha roupa?

— Ah... E esse pinto duro? — Diz ele, apontando para o dito cujo do pintor, que estava em ponto de bala.

E o pintor responde com a maior naturalidade:

— E onde é que você queria que eu pendurasse a lata?